Com que frequência devemos lavar o cabelo?
A frequência ideal de lavagem do cabelo varia de acordo com o tipo e tamanho do cabelo, o estilo de vida e as necessidades individuais.
Cabelos oleosos podem necessitar de lavagens diárias ou em dias alternados, enquanto cabelos secos ou encaracolados podem ser lavados duas vezes por semana ou menos. Por outro lado, quem pratica atividade física intensa ou se encontra exposto a poluição ou poeira pode precisar de lavar o cabelo com mais frequência. Não há, por isso, uma regra única, mas sim orientações gerais para manter o equilíbrio entre limpeza e saúde capilar. O mais importante é manter um couro cabeludo limpo e saudável, usando produtos adequados e evitando agressões desnecessárias.
Como perceber qual é o champô mais adequado para cada tipo de cabelo?
Antes de tudo, devemos avaliar se o cabelo é oleoso, normal, seco, encaracolado/crespo, fino, danificado ou quimicamente tratado, se o couro cabeludo é sensível ou se padece de alguma doença dermatológica, como dermatite seborreica, psoríase, pediculose do couro cabeludo (piolhos) ou alopecia (com ou sem queda de cabelo).
Em cabelo oleoso devemos utilizar champôs de limpeza equilibrados e sebo regulares, enquanto que no cabelo seco devemos privilegiar champôs hidratantes ou nutritivos. Em cabelos encaracolados e muito densos recomendam-se champôs suaves e hidratantes, nos cabelos finos ou sem volume devem usar-se champôs volumizadores, nos pintados ou quimicamente tratados sugere-se o uso champôs protetores da cor e reparadores, ao passo que nos cabelos danificados devemos apostar num champô reconstrutor. Nos pacientes com couro cabeludo sensível a escolha deve recair sobre champôs suaves ou dermatológicos.
Que ingredientes devemos procurar e quais devemos evitar?
Ingredientes como glicerina, pantenol, aloé vera, manteiga de karité e óleos vegetais (ex.: argão, coco, abacate) são úteis em champôs hidratantes, indicados para cabelos secos e encaracolados. Nos cabelos oleosos devem evitar-se champôs muito hidratantes ou com óleos na composição, recomendando-se fórmulas leves, sem sulfatos agressivos, com extratos botânicos, como chá verde e alecrim, e argila, para combater a oleosidade excessiva.
Nos cabelos pintados ou quimicamente tratados devemos optar por fórmulas com antioxidantes, proteínas e proteção UV, sendo a queratina, as ceramidas e os aminoácidos úteis para fortalecer os cabelos danificados.
Champôs ricos em sulfatos podem secar excessivamente o cabelo e remover os pigmentos da cor, devendo ser evitados em cabelos secos ou pintados.
Champôs muito cremosos ou com óleos pesados devem ser evitados em cabelos finos ou sem volume.
No couro cabeludo sensível devem usar-se champôs suaves, com fórmulas livres de sulfatos e fragrâncias agressivas, de forma a evitar irritações. Ativos calmantes como camomila, pantenol e aloé vera são ideais nestes casos.
Como lavar adequadamente o cabelo? Devemos aplicar o champô apenas no couro cabeludo e massajar ou devemos estendê-lo para o comprimento e pontas?
O cabelo deve ser lavado com água morna ou fria para preservar a sua hidratação natural. O champô deve ser aplicado apenas no couro cabeludo, utilizando-se a ponta dos dedos para massajar suavemente em movimentos circulares. O objetivo é limpar o couro cabeludo e remover a oleosidade excessiva, sendo a espuma que escorre durante o enxaguamento suficiente para limpar a haste capilar sem ressecar. Já o amaciador, deve ser usado apenas na haste e pontas, para evitar o aumento da oleosidade e obstrução dos poros do couro cabeludo. É importante que se remova todos os resíduos de champô, para reduzir o risco de irritação do couro cabeludo. Usar água fria no final da lavagem ajuda a selar as cutículas e reduzir o frizz.
É recomendada uma dupla lavagem? Se sim, em que situações?
A técnica de aplicar champô duas vezes durante o banho pode ser benéfica em algumas situações, mas nem sempre é necessária.
A dupla lavagem é recomendável em cabelos oleosos, bem como em pacientes que utilizam frequentemente finalizadores e produtos capilares (ex.: spray, espuma, cera, óleos ou leave-ins), lavam o cabelo com pouca frequência, ou se expõem à poluição, cloro ou poeira, em contexto profissional ou de lazer.
Que erros tendemos a cometer neste passo?
No processo de dupla lavagem devemos aplicar uma pequena quantidade de champô no couro cabeludo, massajar suavemente para remover a sujidade, oleosidade acumulada e resíduos de produtos, e enxaguar completamente. Na segunda lavagem devemos aplicar mais um pouco de produto e massajar o couro cabeludo novamente, de forma a limpar mais profundamente e potencializar os benefícios do champô. Finalmente, deve-se enxaguar bem antes de aplicar o amaciador ao longo do cabelo e nas pontas.
Justifica-se usar um pré-champô? Quais os seus benefícios?
O pré-champô é um produto aplicado antes da lavagem com champô para proteger, nutrir, fortalecer e preparar os fios, evitando o ressecamento, o cabelo embaraçado e danos durante a limpeza. Pode ser um excelente aliado e funcionar como um “escudo protetor”, especialmente para cabelos secos, danificados, quimicamente tratados (pintados, descolorados, alisados) e encaracolados. Para cabelos muito oleosos ou que possam conter resíduos de produtos ou poluentes, as versões detox ou esfoliante podem ser úteis.
Os champôs low-cost, adquiridos nos supermercados, devem ser evitados?
A dúvida sobre se champôs mais baratos são prejudiciais é comum, mas a verdade é que champôs low-cost não são necessariamente maus, sendo necessário avaliar a sua composição, as necessidades do cabelo e a frequência do seu uso. De uma maneira geral, se for usar um champô de supermercado, deve optar por versões sem sulfatos agressivos, que podem causar secura excessiva e prejudicar/remover o alisamento e outros tratamentos químicos efetuados, bem como sem silicones insolúveis e derivados de petróleo, que criam uma película na haste capilar e dificultam a hidratação real. Por outro lado, se o cabelo for seco, danificado ou pintado, a maioria dos champôs “baratos” não têm fórmulas suficientemente nutritivas para responder eficazmente a estas necessidades.
Podem, no entanto, ser utilizados: para lavagens ocasionais em pacientes que lavam o cabelo com muita frequência; se não contiverem sulfatos ou ingredientes agressivos; se o cabelo for natural, saudável e sem pintura ou tratamentos químicos; ou quando se pretende uma limpeza profunda esporádica com ação anti-resíduos.
E o champô seco, pode ser utilizado frequentemente ou deve ser evitado?
O champô seco é uma solução prática para prolongar o tempo entre lavagens, especialmente em quem tem a raiz oleosa, e dar volume, em pessoas com cabelo fino e liso. No entanto, ele não substitui a lavagem com água e champô tradicional, já que apenas absorve a oleosidade visível sem limpar o couro cabeludo. Deve ser usado com moderação, e ser evitado em pacientes com couro cabeludo sensível, caspa ou queda de cabelo. Quando usado durante muitos dias seguidos, pode gerar uma acumulação de resíduos que deixa o cabelo com aspeto pesado e sem vida. Algumas versões contêm álcool, o que pode deixar o couro cabeludo ressequido e sensibilizado.
Devemos trocar os produtos capilares, nomeadamente o champô, com regularidade? Com que frequência o devemos fazer e quais os benefícios da troca?
A ideia de que o cabelo “se acostuma” a um champô é um mito parcial. O que acontece, na prática, é que ao longo do tempo o cabelo sofre alterações na textura, oleosidade, hidratação e vitalidade, devido a fatores como o clima, idade, mudanças hormonais, tratamentos capilares (coloração, alisamento, clareamento e outros), ou mesmo pelo uso de certos champôs (nomeadamente os que contêm silicones e óleos minerais que deixam resíduos nos fios de cabelo e os tornam pesados e sem vida). Perante estas mudanças, pode justificar-se a troca dos produtos capilares para readaptação às novas necessidades. No entanto, se o cabelo estiver saudável e o champô atender bem às necessidades não há razão para a troca frequente.